Ciranda de nós

Eu somos nós. De gritos, de dores, prazeres, amores e vozes que vazam em nós. Não existe indivíduo. Tudo é coletivo.

Domingo, Junho 08, 2008


as luzes mornas do viaduto do chá
os búzios, o coração
são paulo é um sertão
refresco com pregos à venda
na calçada mais suja da sua casa
açúcar com limão
a fome nos olhos
na esquina, a separação
a vida que é assim a pior das doenças
a que mais dói. e que não tem cura.


bulhufas
falo comigo mesma em códigos mortos, metáforas que não significam. apenas pus e cera.

por que as pessoas têm de se olhar o tempo todo nas ruas? nas calçadas, nas catracas de ônibus, nas janelas, nas faixas de pedestre? por que eu tenho que olhar para todo mundo?

sem edição, sem edição, meu pensamento é um troço à deriva...

não sei não sofrer. a vida só me sangra, só se derrama. a vida menstrua, a vida dá cólicas. escorre feito chama.

vamos falar de coisas boas... de como o andré, sem dinheiro para viajar, passou as férias em casa, com a filha pequena, que até então mal sabia o seu nome. de como alguém fez a gentileza de segurar a porta para você passar. de como alguém lembrou de te telefonar no meio de uma tarde qualquer.

sempre sempre sempre deslocada. um corpo que não obedece à cabeça, uma mente que não relaxa o corpo. um corpo duro, uma alma rija. e um coração mole entre tantas mãos.

escrevo escrevo escrevo como quem espreme espreme espreme um caroço com os dedos.

luto contra o luto cotidiano que transforma em cinza as horas antes mesmo de escurecer.

navios que se queimam, rotas que se trançam, pernas que tropeçam.

alguma coisa quer se precipitar.

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